Encontro de Comunicação Screencorp 2019: veja a cobertura completa


Por Dado Carvalho 

O mercado de trabalho está cada vez mais tecnológico. Porém, em vez de tornar as relações com os funcionários mais impessoais e distantes, esse fator tem criado justamente um movimento contrário: mais humanização do ambiente de trabalho e mais proximidade com o colaborador. Afinal, a nova economia incluiu uma inesperada variável na equação da satisfação profissional: a busca pelo propósito – algo que não tem valor mensurável e que faz os grandes talentos recusarem ofertas tentadoras para se dedicar à sua jornada pessoal.

E qual é o papel da comunicação corporativa neste novo contexto em que vivemos? Profissionais da área se reuniram na segunda edição do Encontro de Comunicação Interna promovido pela Screencorp para compartilhar cases interessantes e inspirar a prática de uma comunicação cada vez mais humanizada – e com altos teores de tecnologia!

Confira a seguir o resumo do que rolou no evento – e aproveite para ver os vídeos de entrevistas especiais com os palestrantes.

 

COMO SE ESTIVESSE EM CASA

Inspiração foi o que não faltou com a primeira palestrante do dia. Camila Polese, analista de Endomarketing e Employer Branding do Grupo ZAP, falou sobre um grande desafio de sua companhia, que é resultado de uma fusão entre os portais ZAP Imóveis e VivaReal. Eram duas empresas com culturas bastante diferentes, e a ideia era proporcionar ao novo grupo uma identidade moderna, que fizesse jus tanto ao novo momento da companhia como a essa nova economia. Ações nesse sentido são constantes, e como não existe fórmula pronta, a equipe está sempre vendo o que funciona e o que não funciona para definir as próximas iniciativas. “O nosso novo normal é mais ação e menos planejamento, bem na pegada de startup mesmo. A gente não tem medo de errar: preferimos fazer errado e aprender com os nossos erros”, define Camila.

Uma das iniciativas faz todo mundo se sentir em casa: no prédio do Grupo ZAP vive a Dalila, uma cachorrinha adorada pelos colegas. Os próprios colaboradores cuidam dela e, aos fins de semana e feriados, um de seus padrinhos a leva para casa. “A Dalila já foi para praia, para o sítio… ela viaja mais que eu!”, brinca Camila. “A gente tem até fila de colaborador querendo ser padrinho dela.”

Para Camila, esse novo momento pede que as empresas tenham valores muito claros, com os quais os colaboradores possam se identificar – e que as companhias tenham iniciativas que os demonstrem na prática. Ou os talentos da empresa vão buscar isso fora. “Nós temos um turnover bastante baixo, e geralmente é porque a pessoa conseguiu uma oportunidade no exterior ou vai tirar um ano sabático – e com isso é difícil competir”, diz Camila. “Mas já aconteceu de o colaborador sair da empresa e acabar voltando porque não tinha se identificado tanto com o novo trabalho.”

 

 

SORRIA PARA A FOTO

 

Bruno Carramenha, diretor e sócio da consultoria 4CO e professor da FAAP, falou sobre a importância de identificar as percepções dos colaboradores para estabelecer uma comunicação realmente engajadora. Esse momento, porém, pode revelar uma situação um tanto inconveniente. “Às vezes a empresa diz que quer mudar, mas não quer mudar de verdade”, pondera. E demonstrar os valores corporativos pode não ter a ver apenas com… comunicar.

O primeiro passo é saber se o público interno está satisfeito. Para isso, basta aplicar uma pesquisa de satisfação, certo? Bom, não necessariamente. “A pesquisa de satisfação funciona como uma fotografia daquele momento”, analisa Bruno. “E quando você vê todo mundo sorrindo na foto, você não sabe se a pessoa atrás da câmera acabou de contar uma piada. Ou o contrário: a empresa pode ter ótimas iniciativas, mas ter acabado de demitir um funcionário que era influente entre os colegas.” Ou seja: em vez de tirar uma fotografia do momento, o diagnóstico depende de uma imersão muito mais completa, que pode envolver desde acompanhar o funcionário em seu trajeto até em casa até infiltrar um novo colaborador disfarçado.

Existem algumas variáveis que ajudam a montar uma estratégia. Por exemplo: a empresa pode ter boas práticas, mas o colaborador não percebê-las, o que pode ser resolvido com campanhas de comunicação. O oposto ocorre quando a percepção e boa, porém as práticas não acompanham, o que demanda uma análise mais criteriosa da postura da empresa.

Bruno é autor de diversos livros de Comunicação Interna, como a obra Comunicação com empregados: a comunicação interna sem fronteira escrita em conjunto com Thatiana Cappellano e Viviane Mansi.

 

 

UNICÓRNIO CURITIBANO

Identificação com a marca é um dos fortes da EBANX. A empresa de pagamentos digitais foi fundada em Curitiba, no Paraná, e acaba de se tornar mais um unicórnio – nome dado a companhias, geralmente startups, avaliadas em 1 bilhão de dólares. Com um crescimento tão acelerado, como manter a identidade da marca e demonstrar os valores da empresa?

Nayana Rodrigues, Marketing Manager, conta que parte da estratégia é conectar o público interno com o propósito da empresa por meio de experiências. Isso se traduz em diferentes canais de comunicação (“Nem tudo o que você comunica é para todo mundo, então damos tiros para vários lados, com ferramentas para atingir diferentes públicos”, explica) e uma série de eventos, como palestras, happy hours, reuniões gerais e eventos especiais.

Altamente engajados, os colaboradores embarcam em ideias “diferentonas”. Foi assim quando eles se reuniram para elaborar um vídeo para divulgar o EBANX Circus, uma mistura de convenção e festa. Ficou uma verdadeira superprodução, com os funcionários cantando e dançando “Not afraid”, do Eminem.

Para Nayana, o empoderamento do público interno é fundamental para que ele assimile os valores da companhia. Ou seja: em vez de demandar que apenas a área de Comunicação divulgue os temas importantes, os colaboradores são incentivados a aproveitar uma série de ferramentas para disseminar os temas que consideram estratégicos.

 

 

TODOS PODEM E DEVEM COMUNICAR

“Nosso desafio é desbloquear potenciais”, conta Will Roscito, Creative Manager da CI&T. A empresa trabalha apoiando grandes marcas em seu processo de transformação digital. Com uma proposta dessas, não poderia ter práticas internas que ficassem muito na zona de conforto, certo?

Exemplo disso é uma das iniciativas de maior sucesso da empresa. Em vez da clássica (e nem sempre adorada) festinha de fim de ano da firma, a CI&T resolveu fazer algo que inspirasse corações e mentes: criou um festival de rock. Foi uma ideia ousada, mas o sucesso dependeu muito da participação do público interno na criação do evento – que foi tendo seu formato ajustado ao longo dos anos. “Não adianta a gente fazer algo super legal, mas que só a gente gosta”, comenta Aline Limão, Employer Branding Manager.

O evento já recebeu bandas de peso, como Ira!, Skank, Tianastácia e Ultraje a Rigor. Mas uma das partes mais divertidas é o concurso de bandas montadas entre os próprios colaboradores.

Um ponto bastante relevante da Comunicação Interna da CI&T é a autonomia que as áreas possuem para fazerem “Comunicação Interna”.  Isso traz agilidade no fluxo de informação e não soterra uma área oficial de Comunicação Interna com uma lista de demandas intermináveis a serem comunicadas.  Neste cenário, existem diversos agentes de comunicação por todos os lados.  Isso que é inovação, não é mesmo?  😉

 

 

SOMA COLETIVA


Nara Zarino, gerente de People Design da Loggi, apresentou um case que não tem tanto a ver com as práticas clássicas da área de Comunicação, mas é completamente voltado à cultura corporativa: a avaliação de desempenho. Ao virar o conceito de ponta-cabeça, a Loggi transformou o que costuma ser um processo pra lá de burocrático em uma ferramenta de engajamento.

Nara pontua um conceito que foge um pouco do que costumamos ver quando o assunto é recrutamento. “Nós não acreditamos em ‘fit cultural’”, diz, se referindo à necessidade de o candidato se encaixar aos valores da empresa. “Nós acreditamos em adição cultural.”

O raciocínio é simples: em vez de buscar apenas pessoas de um certo perfil, a empresa entende que vale mais focar o que o novo colaborador tem a trazer. “Temos muito mais a ganhar quando se deixa evoluir a partir da diversidade interna”, avalia Nara.

 

 

Pitch Startups

Duas empresas participaram do encontro apresentando soluções inovadoras para melhorias na cultura organizacional: Botnicks e a Qulture.Rocks, ambas de São Paulo.

A integração de um novo funcionário à cultura da empresa pode não ser uma tarefa fácil. Para aliviar o sufoco dos primeiros dias, a Botnicks detém de uma assistente virtual que auxilia o processo de onboarding do colaborador através de interações via rede social. A conversa ocorre pelo Messenger, portanto o usuário não precisa fazer o download um novo aplicativos. Nada melhor do que alguém disponível para tirar suas dúvidas no instante que elas surgirem, não é mesmo?

Sabe aquele frio na barriga que vem hora de receber uma avaliação do supervisor? A Qulture.Rocks quer acabar com isso promovendo um processo de avaliação contínuo e humanizado. Sua plataforma de Gestão do Desempenho promove elogios e feedbacks personalizados de acordo com a sua cultura organizacional. O software também dispõe de gestão de metas, as OKR’s, para alinhar o colaborador aos objetivos e estratégia da organização.

 

 

 

 

Veja tudo que rolou no Encontro de Comunicação Screencorp 2018

 

 

 

Aplicativo para Comunicação Interna

 

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